A Chuva de Milhões da Fórmula 1
- Paulo Pimenta
- 17 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Se achas que a luta em pista é apenas por troféus e champanhe, desengana-te. A Fórmula 1 é um negócio de proporções gigantescas e os números para 2025 comprovam-no. Segundo as estimativas mais recentes, as 10 equipas do grelha preparam-se para partilhar um pote de prémios histórico, superior a 1,1 mil milhões de euros (aprox. 1,25 mil milhões de dólares).
Este valor recorde reflete o boom de popularidade da modalidade, impulsionado pelas receitas de direitos televisivos, taxas de inscrição dos circuitos e patrocinadores globais. Mas, como sempre na F1, o dinheiro não é distribuído de forma igual.
Como Funciona a Distribuição?
Ao contrário do que acontece noutros desportos, na F1 os pilotos não recebem prémios monetários diretos da organização pelas vitórias (isso vem dos seus salários e bónus contratuais com as equipas). O "prize money" da Fórmula 1 vai inteiramente para os construtores.
O sistema é regido pelo secreto Pacto da Concórdia, mas sabemos que o pote é dividido em duas fatias principais:
Pagamentos de Performance (Coluna 1 e 2): Baseados na classificação final do Campeonato de Construtores do ano anterior (neste caso, 2024).
Bónus Históricos e Especiais: Pagamentos extra para equipas com estatuto "premium" ou histórico de sucesso recente.
A "Exceção" Ferrari
Antes de qualquer conta ser feita, a Ferrari recebe um pagamento único e exclusivo. É o chamado "Long-Standing Team" (LST) bonus. Por ser a única equipa presente em todos os campeonatos desde 1950, a Scuderia recebe, estima-se, cerca de 5% do pote total à cabeça.
Isto significa que, mesmo que a Ferrari terminasse em último lugar, continuaria a receber mais dinheiro do que muitas equipas do meio da tabela.
A Estimativa de Ganhos para 2025
Com base na classificação final de 2024 (onde a McLaren brilhou e a Alpine teve dificuldades), esta é a estimativa de quanto cada equipa deverá encaixar nos cofres em 2025:
Posição (2024) | Equipa | Estimativa de Prémio ($) |
1.º | McLaren | ~$175 Milhões |
2.º | Ferrari | ~$141 Milhões* |
3.º | Red Bull | ~$152 Milhões** |
4.º | Mercedes | ~$164 Milhões** |
5.º | Aston Martin | ~$107 Milhões |
6.º | Alpine | ~$96 Milhões |
7.º | Haas | ~$85 Milhões |
8.º | RB (Racing Bulls) | ~$119 Milhões |
9.º | Williams | ~$130 Milhões |
10.º | Sauber (Kick) | ~$75 Milhões |
> Inclui o bónus histórico da Ferrari.
>> Inclui bónus por campeonatos passados recentes (o sistema premeia quem venceu títulos nos últimos anos).
Nota Curiosa: Repara como a Mercedes e a Red Bull, apesar de terem ficado atrás da Ferrari e McLaren em 2024 em alguns cenários, continuam a faturar valores astronómicos devido aos seus bónus de performance de anos anteriores.
Porque é que isto importa?
Com o teto orçamental (budget cap) fixado em cerca de 135 milhões de dólares para despesas operacionais, as equipas de topo (McLaren, Ferrari, Red Bull, Mercedes) conseguem cobrir a totalidade do seu orçamento de desenvolvimento apenas com o prémio monetário.
Isto torna-as financeiramente sustentáveis e altamente lucrativas, algo impensável há 10 anos, quando muitas equipas lutavam para não falir.
Para as equipas mais pequenas, como a Sauber ou a Haas, cada posição ganha em pista vale milhões de euros vitais. A diferença entre ficar em 8.º ou 9.º pode pagar o desenvolvimento de uma nova asa dianteira ou o salário de um piloto de topo.
Em 2025, a corrida não é apenas pela glória; é pela sobrevivência e pelo lucro numa era dourada da Fórmula 1.



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